A Função do CAIO – Chief AI Officer

Uma empresa me chamou recentemente para ajudar a criar a função de Chief AI Officer, o CAIO. A ideia parecia simples. A IA havia se tornado estratégica, vários projetos estavam surgindo e fazia sentido colocar alguém no C-Level responsável pelo tema.

Quando começamos a discutir a função, porém, percebemos que faltava algo anterior: a empresa ainda não havia definido claramente qual problema organizacional o CAIO deveria resolver.

Ele seria responsável pela estratégia de IA? Transformação dos processos? Governança? Modelos e plataformas? Investimentos? Adoção? Riscos? ROI? Agentes? Ou tudo isso?

Título X Função

Tenho visto o título de CAIO aparecer mais rapidamente do que a definição da própria função. Em algumas empresas, é um líder de transformação e em outras, governa tecnologia e modelos. E em outras, concentra risco e compliance.

Vejo que estamos repetindo um comportamento comum diante de novas tecnologias, quando criamos primeiro a caixa no organograma e depois tentamos descobrir o que colocar dentro dela.

Para mim, a ordem deve ser inversa. Antes de nomear um CAIO, começaria pela estratégia corporativa de IA. Onde queremos gerar valor? Quais processos transformar? Qual o portfólio de iniciativas? Quanto estamos investindo? Quem prioriza? Como medimos retorno? Que riscos estamos assumindo?

Depois vem a arquitetura de responsabilidades. Se já existem CIO, CTO, CDO, CISO, CFO, CHRO, Jurídico, Compliance e líderes de negócio, precisamos definir exatamente qual decisão muda de dono quando o CAIO entra na sala. Se ninguém consegue responder, provavelmente ainda não desenhamos uma função. Apenas criamos um título.

Existe ainda outra armadilha. Colocar “AI” no nome de um executivo pode transformar IA, inadvertidamente, em responsabilidade daquela pessoa. Mas IA corporativa atravessa tecnologia, processos, dados, pessoas, segurança, finanças, risco e estratégia.

O CAIO

O CAIO pode orquestrar essa transformação. Não deveria ser o executivo para quem a organização terceiriza toda responsabilidade relacionada à IA.

Também não acredito que toda empresa precise de um CAIO permanente. Dependendo do porte, maturidade, intensidade de uso e estrutura existente, essas responsabilidades podem permanecer distribuídas. Em outras organizações, a escala da transformação pode justificar uma liderança dedicada.

Na empresa que acompanhei, portanto, mudamos a discussão. Antes de escrever a descrição do cargo, começamos a desenhar mandato, autoridade, decisões, interfaces, accountability, métricas e horizonte da função.

A questão deixou de ser simplesmente contratar um CAIO. Passou a ser definir responsável por quê, com qual autoridade, sobre quais decisões e medido por quais resultados. Sem essas respostas, a empresa não criaria uma função de Chief AI Officer. Apenas adicionaria mais uma sigla ao organograma.

Artigo gentilmente cedido ao EXIN por Cezar Taurion e publicado originalmente em 21.09.26 – Advisor de IA. Foi co-fundador e CEO da Redcore e da Ananque, consultorias em estratégia de IA. É um executivo sênior com mais de 45 anos de experiência em TI, em assuntos como Inteligência Artificial, Governança Corporativa e Liderança de equipes multidisciplinares

Aproveite e conheça a nova certificação EXIN AICP, parte da formação AICO (AI Compliance Officer).  Certamente um conhecimento importante para um CAIO. Em cada página de produto você encontra a área de download para guias/ementas e simulados online. Que tal já testar o seu conhecimento?