Vibe Coding nas Startups

"Construir rápido não é o mesmo que construir sustentável"

 

Vibe Coding

Volta e meia converso com fundadores de startups, que não são técnicos de computação, e reparei que a experiência que contam é quase sempre a mesma. Começam com empolgação. Afinal, com ferramentas de IA, eles entram no chamado ‘vibe coding’, onde se constrói mais por tentativa guiada por prompts do que por engenharia estruturada, e, de repente, tudo parece fácil. Em poucas horas, constroem algo que antes levaria semanas. A sensação é de ter encontrado um atalho.

Só que essa sensação dura pouco. À medida que o produto evolui, pequenas mudanças começam a ficar caras. Corrigir um problema cria outro. Ajustar uma feature quebra outra. As dependências implícitas começam a aparecer. O sistema começa a ficar instável e não de forma dramática, mas progressiva.

E aí entra a segunda fase, a frustração. Depois de dias tentando estabilizar o que foi criado rapidamente, surge algo “bom o suficiente” para lançar. O produto vai ao ar. Usuários chegam. Feedback aparece. E com ele, a realidade. As pessoas usam o sistema de formas que não estavam previstas. Fluxos quebram. O que parecia funcionar bem em teste começa a mostrar fragilidade em produção.

Prompts & Prompts

E a reação? Mais IA. Mais prompts. Mais tentativas de remendar comportamento sem entender o sistema. Prompt atrás de prompt tentando corrigir comportamento, ajustar lógica, tapar buracos. Só que isso não resolve, só acumula complexidade. Corrige uma coisa, quebra três. O código vira um sistema difícil de entender, mais ainda de manter.

E então vem a fase mais perigosa, a da paralisia. O fundador passa a ter medo de mexer no próprio produto. Qualquer mudança pode piorar tudo. Clientes reclamam, funcionalidades falham, dados começam a ficar inconsistentes.

Mas esse lado quase não aparece. O que vemos são anúncios de lançamento, métricas iniciais e demos impressionantes. O que não vemos é a maioria silenciosa de projetos frágeis, mantidos com esforço crescente, muitas vezes abandonados sem explicação. Isso não é apenas um problema do ‘vibe coding’. É dívida técnica, só que antecipada e acelerada. A IA acelera brutalmente os primeiros 70–80%. Mas o que vem depois, manutenção, consistência, escalabilidade e tratamento de exceções, continua exigindo engenharia de verdade.

O Engenheiro de Software

Afinal, construir rápido não é o mesmo que construir sustentável.  No fim, o que está emergindo não é o fim do engenheiro de software. É um novo tipo de problema, com sistemas que nasceram rápidos demais para serem compreendidos por quem os criou. E que agora precisam ser estabilizados. Talvez a habilidade mais importante nesse novo contexto não seja escrever código. Seja entender profundamente o que foi gerado. Porque, no fim, não é o protótipo que quebra. É o que vem depois dele.

Artigo gentilmente publicado em 08/04/26 e cedido ao EXIN por Cezar Taurion – Advisor de IA. Foi co-fundador e CEO da Redcore e da Ananque, consultorias em estratégia de IA. É um executivo sênior com mais de 45 anos de experiência em TI, em assuntos como Inteligência Artificial, #Governança Corporativa e Liderança de equipes multidisciplinares

 

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